Dificilmente alguém vai se surpreender com isso.
Mas, como todo mundo já devia esperar, o George retornou à Kingston Upon Hull
Não, não em definitivo.
Ele só veio para rever uns amigos, mostrar a cidade à Aurora e ter...
Nosso adeus definitivo...
Não acredito que o George teria retornado para por um pingo nos "is" que tinhamos deixado demarcado, se não fosse um pequeno fato ocorrido lá em Londres.
O meu mundo fluía e o mundo deles também, até que um dia quis Deus que a Aurora encontrasse um papel de milidécadas atrás, onde o Primo tinha anotado meu telefone, quando nos conhecemos.
Sim! Lá naqueles anos longínguos quando ele bebia na pracinha.
Mas então...
Acontece que ela encontrou o tal do papel.
Não sei se enciumada ou não, mas ela ligou para a casa da mamãe e deu que fui eu quem atendeu.
Eu não faço a minima de como, mas assim que ouviu minha voz ela reconheceu.
- Então era você todo o tempo? - ela indagou, assim que eu atendi.
- Como? - eu questionei sem reconhecer a dela.
- É a Aurora, Pearl! A mulher que acolheu o homem que você desprezou - ela falou, e eu me senti um puta monstro.
- Aurora? - eu me fiz de desintendida, torcendo pra ela não ter ligado voz e nome.
- É, Pearl - ela confirmou - Aurora Tumbrey, nos conhecemos no ano novo lembra? - ela questionou - Você estava lá com o seu marido (?) - ela afirmou em tom de dúvida.
- Ah, sim! - eu me fiz de quem acabava de lembrar - A mulher com o... Qual é mesmo o nome dele?
- Vai mesmo, se fazer de idiota? - ela indagou impaciente. - Eu não sei o que vocês tiveram menina, e menos ainda se ainda têm algo. Mas seja o que for, o George vai por um ponto final nisso. - ela afirmou desligando na minha cara.
Depois dessa ligação, não demorou muito para que a Abby me ligasse com a notícia.
- O George ta na cidade... E ele ta querendo te ver! - ela contou sem cerimônia - Só não dei seu endereço porque não quero auê entre ele, e Benjamin. Afinal, não quero afilhada minha nascendo antes da hora. - não sei quem disse à ela que a Sophie já tem madrinha definida.
- Então o que disse a ele? - eu indaguei.
- Que você ia encontrar com ele essa noite na pracinha. - ela respondeu.
- Mas, Abby... - não me pareceu sensato sair com uma barriga enorme igual a minha, pra um lugar como aquele.
- É isso, ou ele batendo na sua porta. - ela respondeu - Não vai querer ele e Benji se peitando né!?
É óbvio que no final eu concordei, e então assim que anoiteceu eu dei um jeito e cheguei lá.
O George já estava lá, me aguardando com um buquê gigantesco de rosas vermelhas.
- Para cada rosa um pedido de desculpas - ele disse me estendendo o buquê, e pela primeira vez ele me pareceu adulto. - Ah, e todos os pedidos estão especificados - ele disse, fazendo sinal que eu olhasse o buquê.
Em meio às rosas tinha uma série de cartõezinhos escrito as razões da desculpa.
"pelas mentiras", "pelo desprezo", "pelo ciúme".
Uma série de sentimentos ruins que ele um dia direcionara a mim.
Uma série de atitudes das quais ele já não parecia orgulhar-se.
- Obrigada George - eu agradeci.
- Senti sua falta prima - ele afirmou - Eu ainda sinto! - o primo prosseguiu, sem mover um musculo que fosse na minha direção. - Só que eu não posso fazer isso com a Aurora, e nem você... Sabe!? Quando a Abby me disse que você vinha... Eu tive medo que não viesse - ele confessou - Mas eu quis... Quis que não estivesse aqui! - ele afirmou distante - Porque eu não queria mais olhar no seu rosto. Nunca mais se eu pudesse - ele disse com ar perturbado - É estranho te olhar e saber que já me amou um dia, e que eu ignorei isso. - ele concluiu.
- Isso é tudo?- eu questionei.
Eu não queria conversar...
Não queria chorar...
- Acho que sim - ele respondeu, antes de dar as costas.
- Certo! - eu concordei - Agora me leva até minha casa. - pedi estendendo a mão pra ele.
O Primo levantou a sobrancelinha loira, como a séculos eu não o via fazer.
- Sabe o que tá me pedindo? - ele indagou.
- Sei, sim! - eu sorri - Pedindo pra que o padrinho da minha filha, cuide dela e de mim.
O sorriso no rosto do Primo saltou do nada.
- Ta querendo dizer que...
- Queria tanto ser o pai dela - eu lembrei - Padrinho é um segundo pai!
Então o Primo quebrou aquele clima estranho entre a gente e me abraçou.
- Obrigado Pearl - ele agradeceu.
- Não por isso... - eu sorri - Agora vamos.
Então o Primo apertou minha mão e ós voltamos pra casa.
PS. O Benji ainda não sabe dessa decisão minha.
PS². Preciso dormir agora, Sophie tem que descansar
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